segunda-feira, 9 de maio de 2016

A Imigração

A Imigração da Família Orlandi: Da Itália para o Espírito Santo (1888-1889)

Tudo começou com a decisão de Andrea Orlandi de emigrar para o Brasil em 1888. Naquela época, a Itália atravessava uma grave crise econômica e social, deixando a população em situação de pobreza e necessidade. Andrea Orlandi e sua segunda esposa, Lucia Signorini, viviam na Via Praro, em Azzago, comune de Grezzana, na província de Verona.

Buscando novas oportunidades, a família iniciou sua jornada no porto de Gênova. Andrea (56 anos), Lucia (49 anos) e seus dois filhos, Giovanni (17 anos) e Agostino (12 anos), embarcaram no dia 23 de dezembro de 1888.

A Travessia no Vapor Pacifica

A travessia do Oceano Atlântico foi realizada a bordo do Vapor Pacifica, da companhia La Veloce. Foi uma viagem marcante: a família passou o Natal de 1888 e o Ano Novo de 1889 em alto mar, navegando rumo ao desconhecido.

"O navio que trouxe a Família Orlandi teve uma longa história. Construído na Escócia em 1869, ele se chamava originalmente SS Silesia e serviu à rota Alemanha-EUA. Em 1887, foi rebatizado como Pacifica (registrado nos jornais brasileiros como Pacifico). Curiosamente, logo após a viagem da família Orlandi em janeiro de 1889, o navio mudaria de nome novamente para Città di Napoli e depois Montevideo, até seu naufrágio no Uruguai em 1899."

Fotografia do Silesia (Rebatizado Pacifica). Fonte: Arnold Kludas e Herbert Bischoff, Die Schiffe der Hamburg-Amerika Linie, Bd. 1 (Herford: Koehler, 1979), p. 29.

Imagem do Silesia (Rebatizado Pacifica). Acervo da HAPAG-Lloyd. Fonte: Clas Broder Hansen, Passenger Liners from Germany, 1816-1990.

Mais informações sobre o Silesia (Rebatizado Pacifica) encontram-se na Wikipedia.

O Registro da Família na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores

Após 22 dias de viagem, o navio entrou na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro de 1889. Nos registros oficiais da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores (Livro de Desembarque, pág. 129), a família foi catalogada sob o Número de Família 1161, com as seguintes matrículas individuais:

Nº 6691 – Andrea Orlandi (Chefe, 56 anos, agricultor).
Nº 6692 – Lucia Signorini (Esposa, 49 anos).
Nº 6693 – Giovanni Orlandi (Filho, 17 anos, sapateiro).
Nº 6694 – Agostino Orlandi (Filho, 12 anos, agricultor).

Página do Registro da Entrada da Família Orlandi na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores em 14/01/1889.


A Chegada ao Espírito Santo

Após os trâmites no Rio de Janeiro, a família não permaneceu na capital. Seguiram viagem para o norte a bordo do Vapor Manáos, navio costeiro responsável pelo transporte interestadual.

A família Orlandi desembarcou no Porto de Vitória (ES) no dia 21 de janeiro de 1889. Após o registro de entrada, foram encaminhados para a Hospedaria dos Imigrantes da Pedra D'Água, onde pernoitaram. No dia seguinte, 22 de janeiro de 1889, embarcaram no navio Vapor Maria Pia rumo a Benevente (atual município de Anchieta). De lá, subiram o rio e se dirigiram para a ex-colônia de Castelo, onde obtiveram uma propriedade para viver da agricultura.


Giovanni Orlandi e Carolina Milanese

O filho mais velho, Giovanni Orlandi, estabeleceu-se em São Sebastião, no município de Alfredo Chaves. Em 1895, casou-se com Carolina Milanese. O casal teve 11 filhos, sendo que 2 foram adotados: Remigio, José, Maria, Elisa, Atílio, Ermínia, Rosina, Luísa, Elvira, Arthur e Assunta.

Giovanni exercia a profissão de sapateiro — ofício que declarou desde sua chegada ao Brasil — e transmitiu esse conhecimento para os filhos, ele fazia sapatos e botinas, também fazia bolsas de couro curtido para colocar nas cangalhas dos burros, para puxar café. Viveu sempre em São Sebastião e, em seus últimos anos, morou com o filho caçula, Arthur. Giovanni faleceu em 1959, aos 89 anos, deixando uma vasta descendência.

Augusta Faè e Agostino Orlandi

O filho mais novo, Agostino Orlandi, casou-se com Augusta Faè em 1909, em Alfredo Chaves. Diferente do irmão, o casal estabeleceu-se na região do Pedregulho, em Castelo. Tiveram também 11 filhos: Maria, Lucia, Catherina, Antonio, Angelo, Ana, Francisco, Regina, Pedro, Assunta e Raphael.

Agostino dedicou-se à agricultura, especialmente ao plantio de café. Com espírito inventivo, criou uma máquina para beneficiar café. Tragicamente, em 1923, enquanto realizava reparos neste equipamento, sofreu um grave acidente. Veio a falecer três dias depois, vítima de hemorragia interna, com apenas 47 anos de idade.

O Retorno dos Patriarcas

Andrea e Lucia haviam se casado na Itália após ambos ficarem viúvos. Juntos, tiveram quatro filhos: Tereza, Giovanni, Maria e Agostino. Do primeiro casamento de Andrea com Annunziata Bertagnolli, nasceram Catterina e Giacomo, que não imigraram e permaneceram no comune de Grezzana, em Verona.

Após anos no Brasil, Andrea Orlandi e sua esposa Lucia Signorini decidiram retornar à terra natal. Voltaram para a Itália, onde passaram seus últimos dias. Andrea faleceu em Verona no dia 03/02/1911, e Lucia faleceu em Grezzana no dia 07/06/1915.

13 comentários:

  1. sou orlandi moro em sp a40anos nasci no pr meus pais sao do sul rs tambem vieram da italia via santa maria no rio grande do sul

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  2. Sou bisneto de Orlandi, por parte materna de Olímpia Orlandi. Creio que esse seja o nome de solteira, pois o marido dela era hispânico.

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  3. Valdinei de Cassio Orlandi, 47 anos, morador de Sao carlos-SP, Filho de Nelson Orlandi Neto de Adolpho Orlandi e bisneto de Salvador Orlandi e Angelina Gianini Orlandi Estes nascidos e imigrantes da provincia de Luca Italia

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  4. Olá José. Sou bisneto de Josephina Rotta (ou Josefina Rota). Filha de Francisco Rota e Assunta orlandi. Josephina nasceu em 1889 na cidade de Milão-Itália, e faleceu em Descalvado-SP. Não tenho mais informações. Você saberia dizer se uma das duas pessoas chamadas Assunta pode ser minha tataravó?
    Estou montando minha árvore genealógica no site https://familysearch.org
    Fique a vontade para visitar. Procure por Darcio Maldotti Pinto ou pelo número L5LC-TFG.

    Abraços

    Dárcio

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  5. Bom dia, acabei de enviar meu comentário - Elizabeth Orlandi - mas quero deixar claro que o meu e-mail para acompanhamento é :
    naomi-ling@hotmail.com
    Obrigada.

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    1. Boa noite Molina, agora que por curiosidade resolvi dar uma conferida no Google sobre notícias da família Orlandi. Eu sou neta de Silvio Orlandi, até onde sei ele nasceu em Florença e desembarcou aqui no Brasil pelo poto de Santos. Foi casado com Barbara Biazim. Se tiver mais alguma história sobre ele(s) agradeço. Meu e-mail é naomi-ling@hotmail.com. Obrigada!

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  6. Bom dia. Estou notando aqui que o comentário que fiz anteriormente parece q não foi publicado.
    Então vou repetir.
    Eu, Elizabeth Orlandi, neta de Silvio Orlandi casado com Barbara Biazim, ele filho do meu bisavô Anselmo Orlandi casado com Erina Scatena. Meu avô Silvio era da Toscana, Itália e veio para o Brasil
    nos idos de 18... e desembarcou no Porto de Santos, SP. Até onde sei ele era escultor e aqui trabalhava com jazidas de mármore. Gostaria de saber se aqui no Brasil ou mesmo Itália tenho parentes mais direto.Qualquer informação ajuda.
    Obrigada, abraços.

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  7. Em Santa Catarina, nas cidades de Laguna e Tubarão, também tem Orlandi. Meu bisavô se chamava Amaro Orlandi. Ele veio da Itália para Santos/SP mas formou família aqui em SC.

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  8. Fernando, vera, Osvaldo, Gilberto,marli ,+2 irmao nan sei os nomes....filh fi de Lúcia ????? Alguém pode me dar l
    Informações???

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    1. Ola,meu nome é Andréa Orlandi sou neta de Lúcia monte Orlandi e sobrinha de Fernando,vera , Gilberto, Marli, Osvaldo era meu bisavô gostaria de conversar com vc e conhecer me chama no ZAP 11950475556

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  9. A minha mulher é neta de Jalzira Orlandi. A avó está viva e tem 88 anos e mora em Birigui-SP.

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  10. Dario, encontrei o seu nome em minha pesquisa de árvore genealógica. Uma fonte é você, sobre João Baptista Fattor,onde vc cita até o localização do túmulo em Descalvado/SP.
    João Baptista é meu trisavô, casado com Rosa Buzzuti, pais de minha bisavó Catharina Factor Vendramini, avós de minha avó Carolina Vendramini Attisano.
    Não encontrei sua ligação com a minha familia.

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  11. Tenho na minha família orland que eram da Itália também sera que orland ou orlandi é igual no Brasil ? Igual ao Silva , Pereira,ou Moreira. hahaha

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