A Imigração da Família Orlandi: Da Itália para o Espírito Santo (1888-1889)
Tudo começou com a decisão de Andrea Orlandi de emigrar para o Brasil em 1888. Naquela época, a Itália atravessava uma grave crise econômica e social, deixando a população em situação de pobreza e necessidade. Andrea Orlandi e sua segunda esposa, Lucia Signorini, viviam na Via Praro, em Azzago, comune de Grezzana, na província de Verona.
Buscando novas oportunidades, a família iniciou sua jornada no porto de Gênova. Andrea (56 anos), Lucia (49 anos) e seus dois filhos, Giovanni (17 anos) e Agostino (12 anos), embarcaram no dia 23 de dezembro de 1888.
A Travessia no Vapor Pacifica
A travessia do Oceano Atlântico foi realizada a bordo do Vapor Pacifica, da companhia La Veloce. Foi uma viagem marcante: a família passou o Natal de 1888 e o Ano Novo de 1889 em alto mar, navegando rumo ao desconhecido.
"O navio que trouxe a Família Orlandi teve uma longa história. Construído na Escócia em 1869, ele se chamava originalmente SS Silesia e serviu à rota Alemanha-EUA. Em 1887, foi rebatizado como Pacifica (registrado nos jornais brasileiros como Pacifico). Curiosamente, logo após a viagem da família Orlandi em janeiro de 1889, o navio mudaria de nome novamente para Città di Napoli e depois Montevideo, até seu naufrágio no Uruguai em 1899."
Mais informações sobre o Silesia (Rebatizado Pacifica) encontram-se na Wikipedia.
O Registro da Família na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores
Após 22 dias de viagem, o navio entrou na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro de 1889. Nos registros oficiais da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores (Livro de Desembarque, pág. 129), a família foi catalogada sob o Número de Família 1161, com as seguintes matrículas individuais:
Nº 6691 – Andrea Orlandi (Chefe, 56 anos, agricultor).
Nº 6692 – Lucia Signorini (Esposa, 49 anos).
Nº 6693 – Giovanni Orlandi (Filho, 17 anos, sapateiro).
Nº 6694 – Agostino Orlandi (Filho, 12 anos, agricultor).
A Chegada ao Espírito Santo
Após os trâmites no Rio de Janeiro, a família não permaneceu na capital. Seguiram viagem para o norte a bordo do Vapor Manáos, navio costeiro responsável pelo transporte interestadual.
A família Orlandi desembarcou no Porto de Vitória (ES) no dia 21 de janeiro de 1889. Após o registro de entrada, foram encaminhados para a Hospedaria dos Imigrantes da Pedra D'Água, onde pernoitaram. No dia seguinte, 22 de janeiro de 1889, embarcaram no navio Vapor Maria Pia rumo a Benevente (atual município de Anchieta). De lá, subiram o rio e se dirigiram para a ex-colônia de Castelo, onde obtiveram uma propriedade para viver da agricultura.
![]() |
| Giovanni Orlandi e Carolina Milanese |
O filho mais velho, Giovanni Orlandi, estabeleceu-se em São Sebastião, no município de Alfredo Chaves. Em 1895, casou-se com Carolina Milanese. O casal teve 11 filhos, sendo que 2 foram adotados: Remigio, José, Maria, Elisa, Atílio, Ermínia, Rosina, Luísa, Elvira, Arthur e Assunta.
Giovanni exercia a profissão de sapateiro — ofício que declarou desde sua chegada ao Brasil — e transmitiu esse conhecimento para os filhos, ele fazia sapatos e botinas, também fazia bolsas de couro curtido para colocar nas cangalhas dos burros, para puxar café. Viveu sempre em São Sebastião e, em seus últimos anos, morou com o filho caçula, Arthur. Giovanni faleceu em 1959, aos 89 anos, deixando uma vasta descendência.
![]() |
| Augusta Faè e Agostino Orlandi |
O filho mais novo, Agostino Orlandi, casou-se com Augusta Faè em 1909, em Alfredo Chaves. Diferente do irmão, o casal estabeleceu-se na região do Pedregulho, em Castelo. Tiveram também 11 filhos: Maria, Lucia, Catherina, Antonio, Angelo, Ana, Francisco, Regina, Pedro, Assunta e Raphael.
Agostino dedicou-se à agricultura, especialmente ao plantio de café. Com espírito inventivo, criou uma máquina para beneficiar café. Tragicamente, em 1923, enquanto realizava reparos neste equipamento, sofreu um grave acidente. Veio a falecer três dias depois, vítima de hemorragia interna, com apenas 47 anos de idade.
O Retorno dos Patriarcas
Andrea e Lucia haviam se casado na Itália após ambos ficarem viúvos. Juntos, tiveram quatro filhos: Tereza, Giovanni, Maria e Agostino. Do primeiro casamento de Andrea com Annunziata Bertagnolli, nasceram Catterina e Giacomo, que não imigraram e permaneceram no comune de Grezzana, em Verona.
Após anos no Brasil, Andrea Orlandi e sua esposa Lucia Signorini decidiram retornar à terra natal. Voltaram para a Itália, onde passaram seus últimos dias. Andrea faleceu em Verona no dia 03/02/1911, e Lucia faleceu em Grezzana no dia 07/06/1915.



